quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Síntese histórica



PARÓQUIA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

IGREJA MATRIZ

SÍNTESE HISTÓRICA

As guerras de ocupação na América Latina, pelos impérios Português e Espanhol levaram, a vários tratados, concebidos na maior parte das vezes em suas cortes na Europa, e que faziam com que, as fronteiras se movessem ao sabor e a sorte, de suas tropas bélicas, e as mesmas mais que nos tratados, estivessem fixadas, ou  desenhadas pelos cascos da cavalaria ou, pelos fogões dos acampamentos. Assim, como em outros embates que houve e que adviriam, em 1801, após um enfrentamento e ocupação rápida de Serro Largo, hoje Melo, território espanhol, as tropas do Coronel Manuel Marques de Souza recuam para as margens do Rio Jaguarão e instalam a Guarda da Lagoa e do Serrito em 1802.
Restabeleceu-se a paz e manteve-se nesta fronteira um tratamento respeitoso. Quando Marques de Souza retira-se para Rio Grande em maio de 1802, deixa recomendações para que se conservem os laços de boa vizinhança com os espanhóis.
Em correspondência para o comandante da fronteira sediado em Rio Grande, datada de 24 de outubro de 1802, comunica que já se rezava missa no acampamento militar nessa ocasião. Sendo sinal do local que viria a ser a paróquia do Divino Espírito Santo, já que nesta data já ministrava-se os sagrados sacramentos na capela muito rudimentar.
Atendendo aos anseios da população, que havia tempos gestionava, e por intervenção de Dom José Caetano da Silva Coitinho, em 31 de janeiro de 1812 é criada a Freguesia do Divino Espírito Santo no Jaguarão cujo primeiro pároco foi Pe. Joaquim Cardoso Brum.
Mesmo com um bom número de sacerdotes na região a freguesia não prosperou, de forma que em 1815 a igreja matriz ainda era considerada uma “miserável barraca de palha”. E passado 18 anos nada mudara.
A construção da atual Igreja Matriz do Divino Espírito Santo prolongou-se por décadas (1846 – 1875), principalmente pela ênfase militar do povoado, falta de recursos e controvérsias quanto à localização da mesma. Ao definir-se pelo lugar já estabelecido, a quadra reservada para a igreja foi logo ocupada por moradores que ali edificaram.
Ao entender que a prática religiosa era um esteio fundamental para a segurança pública, era inadmissível a não existência de um templo digno para a celebração dos sacramentos. A partir desta conscientização é que o Governo Provincial direcionou seus investimentos para as áreas religiosas nas cidades da província e, no qual, a Matriz do Divino Espírito Santo de Jaguarão começou a encontrar caminhos para a sua conclusão.
Passaram-se os anos e o templo vai tomando forma nos seus detalhes com muita riqueza artística, no melhor estilo barroco.
O município de Jaguarão tem como padroeiro, o Divino Espírito Santo, em homenagem, ao qual, foi erguida a Igreja Matriz da referida Paróquia.
O mesmo tem um expressivo conjunto histórico e paisagístico, formado por suas origens militares, clássico das povoações da fronteira, com sua sólida formação religiosa e a rica arquitetura de suas casas, tão apreciadas pelos visitantes, principalmente os estudiosos.
Do conjunto desta obra, destaca-se o prédio da referida Igreja Matriz. É um dos raros templos do século XIX, na região sul do estado, a conservar integralmente as linhas gerais de seu aspecto original, tanto interno quanto externo, o que lhe confere especial  importância histórica, arquitetônica e artística.
Em 28 de dezembro de 2010, foi feito o lançamento do Museu Sacro do Divino Espírito Santo, com vistas a obter visibilidade, recuperação e preservação do conjunto patrimonial.
Na oportunidade, além da apresentação de um histórico pormenorizado sobre a Paróquia, foi realizado um inventário e relatório descritivo, acerca do estado de conservação do acervo sacro da Matriz.
Assim, mesmo em condições precárias, passou a Paróquia a expor o seu acervo, com o esforço da Comunidade.
Quando do lançamento do Museu, foi apresentado também um projeto arquitetônico, de ampliação e instalação definitiva do mesmo.
Ao lidar com este patrimônio, nos deparamos com aspectos de conservação do mesmo, que sabíamos sério, mas não tão grave como é na realidade.
Temos problemas, no acervo sacro, de conservação e recuperação, de intervenções indevidas feitas através dos tempos. Sofremos com um problema sério de estrutura do templo, mais especificamente a cobertura, mostrando goteiras, madeiramento comprometido pela ação da umidade, pragas e pelo tempo enfim, sem uma assistência especializada, levando ao momento que hoje vivemos de ter de suspender as atividades religiosas no local.

 Fonte: Resgate Histórico realizado por Claudino Neves Corrêa, para o Centenário da Diocese de Pelotas.

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